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Como parar de sentir ciúmes: o que fazer quando o ciumento é você

Como parar de sentir ciúmes: perceber o gatilho, não mexer no celular do outro, falar sem acusar, entender o que está por trás e saber quando pedir ajuda.

Escrito pela equipe do Venna Atualizado em · 7 min de leitura

Se você quer saber como parar de sentir ciúmes, comece por uma coisa mais simples: parar de agir pelo ciúme. O sentimento vem sozinho, e ninguém desliga isso por decisão. Mas dá para controlar o ciúme na prática: perceber o que disparou, não pegar o celular do outro, falar do que você sente sem acusar e, com o tempo, entender de onde aquilo vem. Este texto é para quem se reconhece ciumento e está cansado de brigar, desconfiar e se arrepender depois.

Sentir ciúme é diferente de controlar

Quase todo mundo já sentiu aquela pontada quando o namorado comentou demais sobre a colega nova, ou quando a namorada riu de uma mensagem e não contou de quem era. Isso é um sentimento. Ele incomoda e, muitas vezes, passa. Se vocês conversam, costuma perder força.

O problema começa quando o ciúme sai de dentro de você e vira controle sobre a vida do outro: olhar o celular escondido, pedir senha, perguntar a cada hora onde a pessoa está, decidir que roupa ela pode usar ou com quem pode sair. Você pode sentir um ciúme enorme sem fazer nada disso. E é aí que dá para mudar alguma coisa.

O que está por trás do ciúme

Muitas vezes, por baixo do ciúme está o medo de perder a pessoa. Em 1997, os psicólogos americanos Don Sharpsteen e Lee Kirkpatrick descreveram o ciúme amoroso em parte como uma reação a uma ameaça ao vínculo de apego, aquele laço que faz a gente buscar proximidade e segurança em quem ama. Eles também viram que cada um lida com isso de um jeito: pessoas mais ansiosas no relacionamento tendiam a engolir a raiva; as mais evitativas, a jogar a culpa no “rival”; e as mais seguras, a dizer à pessoa amada que estavam com raiva, tentando preservar a relação.

Um ano depois, a pesquisadora Laura Guerrero aplicou questionários a 144 pessoas em relacionamentos longos. Quem tinha uma visão mais negativa de si mesmo relatava mais pensamentos de ciúme. E quem vivia preocupado com a relação, com medo de que o outro se afastasse, dizia vigiar mais o namorado ou a namorada.

Esses estudos falam de tendências em grupos de pessoas; a sua história é só sua. Mas ajudam a ver que o ciúme pode dizer mais sobre insegurança do que sobre o que o outro fez. Às vezes também pesa o histórico: uma traição no relacionamento anterior, pais que se separaram de um jeito difícil, uma época em que você se sentiu trocado. Nenhum teste online vai dizer qual é o seu caso. Um psicólogo pode ajudar a entender isso.

Como parar de sentir ciúmes no dia a dia

Perceba o gatilho

Quando o ciúme bater, pare e pergunte a si mesmo o que aconteceu de fato. Foi uma mensagem, um atraso, um nome que aparece toda hora? Ou é uma sensação sem nada concreto? Anotar no celular ajuda a separar o que aconteceu do que você imaginou. Depois de algumas semanas, dá para ver um padrão: talvez o ciúme apareça mais quando você está cansado, sozinho ou se sentindo pra baixo.

Não aja na hora

O impulso pede uma ação imediata: abrir o WhatsApp do outro, ver o “visto por último”, mandar cinco mensagens seguidas. Espere. Saia para caminhar, tome um banho, ligue para um amigo. Só decida alguma coisa depois que o impulso baixar.

Fuçar o celular quase nunca acalma por muito tempo. Ou você não acha nada e a dúvida volta no dia seguinte, ou acha algo ambíguo, imagina o pior e não consegue nem perguntar, porque teria que admitir que mexeu. Nos dois casos, você invadiu a privacidade da outra pessoa.

Fale sem acusar

“Você vive conversando com ela” deixa o outro na defensiva. Experimente falar do que acontece com você: “Quando você falou dela pela terceira vez essa semana, eu fiquei com medo de ser menos importante pra você. Sei que é coisa minha, mas queria te contar.” Assim o outro tem como responder, em vez de só se defender. Se a conversa esquentar, veja como brigar sem piorar tudo.

Peça o que você precisa

Uma mensagem quando o outro for chegar tarde, conhecer os amigos novos do trabalho, uma noite só de vocês dois na semana: são pedidos, e o outro pode dizer sim ou não. Querer saber onde a pessoa está o tempo todo já é outra coisa.

Cuide do que é seu

Se o ciúme tem mais a ver com a sua autoestima ou com o que você viveu antes, a outra pessoa não consegue resolver isso por você, por mais que tente te tranquilizar. Se o seu caso envolve uma traição de verdade, que vocês estão tentando superar, leia traição tem perdão?.

Quando o ciúme virou controle

Responda com sinceridade. Você já:

  • pegou o celular do outro escondido ou exigiu a senha?
  • instalou algum aplicativo para saber onde a pessoa está?
  • proibiu amizades, roupas, festas ou redes sociais?
  • usou chantagem, como “se você me amasse, não ia nessa festa”?
  • ficou com tanta raiva que o outro passou a ter medo de você?

Se a resposta for sim para alguma dessas, o ciúme já está controlando a vida de outra pessoa. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) protege mulheres contra a violência doméstica e familiar, inclusive em namoro e mesmo sem morar junto. No artigo 7º, inciso II, ela inclui na violência psicológica qualquer conduta que vise “degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões”, por meios como ameaça, manipulação, isolamento, “vigilância constante”, chantagem e “limitação do direito de ir e vir”.

Ter percebido isso já é um começo. Pare com a vigilância agora, sem esperar o ciúme passar, e procure ajuda individual. Terapia de casal, se fizer sentido, fica para depois: enquanto um dos dois tem medo do outro, não é por aí que se começa.

Vale procurar um psicólogo se o ciúme ocupa boa parte do seu dia, se você já tentou parar de vigiar e não conseguiu, se as brigas por ciúme se repetem ou se você se reconhece na lista acima. Comece por sessões individuais: o ciúme é seu, e é você quem vai trabalhar nele.

Antes de marcar, confira se a pessoa tem registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP) no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, em cadastro.cfp.org.br. Se vocês dois quiserem fazer terapia juntos, veja o nosso guia de terapia de casal.

Perguntas para conversar a dois

  1. Quando eu fico com ciúme, o que você percebe em mim antes de eu falar qualquer coisa?
  2. Teve alguma vez em que o meu ciúme te fez deixar de fazer algo que você queria?
  3. O que eu posso fazer, sem te controlar, quando o ciúme bater?
  4. Tem alguma coisa pequena que a gente pode combinar pra me dar mais segurança?
  5. Tem algum assunto que você evita comigo por medo da minha reação?

Conversar com um casal que já passou por isso

Se o ciúme não virou controle e vocês querem falar disso a dois, no Venna vocês conversam por uma hora, por voz, com outro casal que está vivendo algo parecido ou que já passou por isso. Vocês escolhem um tema no app, como confiança ou comunicação. Ninguém usa o nome verdadeiro, e a sessão só acontece se os quatro toparem. O app faz as perguntas e dá a vez para cada um. Cada casal conta o que viveu, em vez de dar conselho. Nada é gravado, a não ser que os quatro escolham uma sessão gravada com um casal experiente, e nenhuma IA escuta.

O Venna não é terapia. Se você está pensando em suicídio, ou alguém próximo está, ligue 188, do CVV: o atendimento é 24 horas e sem custo de ligação. Se você é mulher e alguém com quem você se relaciona te controla ou vigia, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): a ligação é gratuita, 24 horas, todos os dias, e também dá para usar o WhatsApp (61) 9610⁠-⁠0180. Em emergência, ligue 190. Se você é homem ou LGBTQIA+ e sofre violência, o 190 vale para você também, e pessoas LGBTQIA+ podem denunciar pelo Disque 100, gratuito e 24 horas.

Fontes

Perguntas frequentes

Ciúme é normal no relacionamento?

Sentir aquela pontada de ciúme acontece com quase todo mundo, e muitas vezes passa, principalmente se vocês conversam. O problema começa quando o ciúme vira controle sobre a vida do outro: olhar o celular escondido, pedir senha, decidir com quem a pessoa pode sair. Dá para sentir um ciúme enorme sem fazer nada disso.

De onde vem o ciúme excessivo?

Muitas vezes, por baixo do ciúme está o medo de perder a pessoa. Os psicólogos Don Sharpsteen e Lee Kirkpatrick descreveram o ciúme amoroso em parte como uma reação a uma ameaça ao vínculo de apego. A pesquisadora Laura Guerrero viu que quem tinha uma visão mais negativa de si mesmo relatava mais pensamentos de ciúme. O histórico também pode pesar, como uma traição num relacionamento anterior.

Mexer no celular do namorado ajuda a acalmar o ciúme?

Quase nunca por muito tempo. Ou você não acha nada e a dúvida volta no dia seguinte, ou acha algo ambíguo, imagina o pior e não consegue nem perguntar, porque teria que admitir que mexeu. Nos dois casos, você invadiu a privacidade da outra pessoa.

Como falar do meu ciúme sem brigar?

Fale do que acontece com você em vez de acusar. “Você vive conversando com ela” deixa o outro na defensiva. Algo como “Fiquei com medo de ser menos importante pra você. Sei que é coisa minha, mas queria te contar” dá ao outro a chance de responder em vez de só se defender.

Quando o ciúme vira violência?

Quando você pega o celular escondido, exige senha, rastreia a pessoa, proíbe amizades ou roupas, faz chantagem ou o outro passa a ter medo de você, o ciúme já controla a vida de outra pessoa. A Lei Maria da Penha inclui na violência psicológica condutas como manipulação, isolamento, “vigilância constante” e chantagem. Se você se reconhece aí, pare com a vigilância agora e procure ajuda individual.

Quando procurar um psicólogo por causa do ciúme?

Vale procurar se o ciúme ocupa boa parte do seu dia, se você já tentou parar de vigiar e não conseguiu ou se as brigas por ciúme se repetem. Comece por sessões individuais, porque o ciúme é seu. Antes de marcar, confira o registro no CRP pelo Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, em cadastro.cfp.org.br.

O Venna serve para casais com problema de ciúme?

Se o ciúme não virou controle e vocês querem falar disso a dois, no Venna vocês conversam por uma hora, por voz, com outro casal que vive algo parecido ou já passou por isso. Vocês podem escolher um tema como confiança ou comunicação. O Venna não é terapia.

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