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Namorar a distância: guia prático para o casal que vive longe

Namorar a distância: o que a pesquisa diz, rotina de chamadas, visitas e dinheiro, ciúmes, encontros online e como planejar o fim da distância.

Escrito pela equipe do Venna Atualizado em · 8 min de leitura

Namorar a distância pode dar certo. Nas pesquisas, muitos casais nessa situação se sentem tão próximos quanto os que moram na mesma cidade, às vezes mais. O que pesa é outra coisa: a saudade no domingo à noite, o preço da passagem, a dúvida sobre quando a distância vai acabar. Este guia é para quem tem um relacionamento a distância aqui no Brasil, de uma cidade ou de um estado para outro, ou com um dos dois morando fora.

O que torna o relacionamento a distância difícil

Quase nada do namoro acontece por acaso quando vocês estão longe. Não tem o café rápido depois do trabalho nem o “passa aqui em casa”. Tudo vira combinado: a hora da chamada, a data da visita, quem vai pagar a passagem.

Algumas coisas costumam pesar mais:

  • A falta de contato físico: abraço, cheiro, dormir junto. Chamada de vídeo não resolve isso.
  • O fuso e a rotina. Quando um sai do plantão, o outro já está dormindo. Com alguém em Portugal, no Japão ou no Canadá, o horário em comum pode caber numa hora por dia.
  • O dinheiro. Ônibus, avião, hospedagem: a conta chega rápido, e nem sempre a viagem fica dividida por igual.
  • As duas vidas. Cada um tem amigos, família e programas que o outro só conhece pela tela.
  • Não saber quando acaba. Namorar longe com data marcada é bem diferente de namorar longe “até ver no que dá”.

O que a pesquisa diz sobre namorar a distância

Em 2013, os pesquisadores L. Crystal Jiang e Jeffrey Hancock pediram a casais de namorados, uns morando perto e outros a distância, que anotassem por uma semana cada conversa que tinham. Os casais a distância conversavam menos vezes por dia, mas usavam mais mensagem, ligação e chamada de vídeo. E diziam se sentir mais íntimos. Os autores atribuem isso a duas coisas: quem está longe se abre mais nas conversas e tende a idealizar o comportamento do outro.

Só que idealizar também cobra seu preço. Laura Stafford e Andy Merolla, num estudo de 2007, viram que namoros a distância eram mais estáveis do que os de perto enquanto os dois continuavam separados. Mas, quando passavam a morar na mesma cidade, muitos terminavam. Quem ficava muito tempo sem ver o outro e idealizava demais enquanto estava longe tinha mais chance de terminar depois do reencontro.

Num estudo anterior, de 2006, Stafford, Merolla e Castle acompanharam casais que deixaram de namorar a distância: um terço dos que se reencontraram terminou em até três meses. Os participantes falaram de perda de autonomia, de descobrir coisas novas (boas e ruins) sobre o outro, de dificuldade para organizar o tempo e de mais brigas e ciúmes.

Uma pesquisa americana de 2013, com uma amostra representativa do país, comparou os dois tipos de relacionamento. Quem namorava a distância disse estar mais satisfeito com a relação e mais comprometido com ela. Mesmo assim, quando os pesquisadores voltaram a procurar os casais, os dois grupos tinham terminado na mesma proporção.

São pesquisas feitas fora do Brasil, então vale ler com um pé atrás. Mas elas ajudam a entender por que o reencontro também pede cuidado.

Rotina, mensagens e chamadas de vídeo

Não existe número certo de ligações. O que ajuda é os dois saberem o que esperar.

  • Combinem um ritual fixo. Um bom-dia por áudio, uma chamada antes de dormir, o almoço de domingo “junto” pelo vídeo. Algo que aconteça mesmo na semana corrida.
  • Nem toda chamada precisa ser longa. Dez minutos de conversa de verdade valem mais que duas horas de vídeo ligado, cada um olhando para o próprio celular.
  • Mostrem o dia a dia. A foto do almoço, o áudio reclamando do trânsito. É isso que faz o outro se sentir parte da sua vida.
  • Avisem quando vão sumir. “Hoje vou estar no aniversário da minha prima, te ligo amanhã” evita uma noite inteira de mensagem visualizada e sem resposta.
  • Falem do que incomoda também. Se toda chamada é só carinho, os problemas ficam para a visita, e a visita vira briga.

Visitas e dinheiro

As visitas são o ponto alto, e por isso mesmo carregam muita expectativa.

Façam o calendário juntos. Olhem os feriadões do ano, as férias de cada um e as datas de família. Saber que a próxima visita é daqui a cinco semanas é mais fácil do que viver no “a gente vê”.

Conversem sobre quem paga. Se um ganha mais, ou se um sempre viaja, isso precisa ser conversado, e não ficar subentendido. Alguns casais revezam quem viaja, outros dividem a passagem, outros fazem uma caixinha só para isso. Passagem comprada com antecedência e milhas ajudam, mas o principal é nenhum dos dois sentir que carrega a relação sozinho.

Não transformem toda visita em lua de mel. Vale sair, claro. Mas vale também ir ao mercado, ver a rotina do outro, conhecer os amigos e passar um dia sem programa. No estudo de 2006, muitos casais só descobriram coisas novas sobre o outro, boas e ruins, depois que passaram a conviver.

Planejem a despedida. O último dia costuma ser pesado. Antes de sair para a rodoviária ou o aeroporto, combinem a data da próxima visita e o que cada um vai fazer quando chegar em casa.

Confiança e ciúmes a distância

Ciúme aparece em qualquer relacionamento. A distância só deixa mais espaço para a imaginação: uma foto numa festa, um “depois te ligo” e nada de ligação. Se quem sente o ciúme é você, veja também como parar de sentir ciúmes.

  • Falem sobre limites. Sair com os amigos, dormir fora, falar com ex. Cada casal tem seus limites, e é melhor conversar antes do que descobrir no meio de uma briga.
  • Perguntem antes de concluir. “Vi aquela foto e fiquei com ciúme, me conta como foi?” abre conversa. “Quem era essa pessoa do seu lado?” fecha.
  • Controlar não é o mesmo que confiar. Pedir senha, exigir localização o tempo todo ou brigar porque o outro saiu com os amigos não deixa ninguém mais seguro. Se um dos dois vive com medo da reação do outro, isso é sinal de alerta, e vale pedir ajuda (veja os contatos mais abaixo).

Planejar o fim da distância

Ter um prazo, mesmo que aproximado, muda muito. Dá para começar com perguntas simples: quem se muda, para onde, até quando? O que cada um perde com isso: emprego, faculdade, família por perto?

Quando a data se aproxima, lembrem do estudo de 2006: muitos participantes contaram que, depois do reencontro, perderam liberdade e passaram a brigar mais. Ajuda conversar antes sobre como vai ser o dia a dia, se vão morar juntos logo ou em casas separadas por um tempo, e como cada um vai manter a própria vida.

Ideias de encontro a distância

  • Assistir ao mesmo filme ou ao mesmo jogo, cada um na sua casa, comentando por chamada.
  • Cozinhar a mesma receita ao mesmo tempo e jantar “junto”.
  • Se os dois estão no Brasil, pedir comida um para o outro pelo aplicativo, sem contar o que é.
  • Jogar algum game online juntos.
  • Fazer uma caminhada no fim da tarde, cada um na sua cidade, mostrando o caminho.
  • Fazer o teste de casal por chamada de vídeo e comparar as respostas.
  • Escrever uma carta à mão e mandar pelo correio.
  • Montar uma playlist juntos para a próxima viagem.

Perguntas para fazer um ao outro

Para mais ideias, veja a nossa lista de perguntas para casal.

  1. Em que momento da semana você mais sente a minha falta?
  2. O que eu faço de longe que te faz sentir perto?
  3. Tem alguma coisa nas nossas chamadas que te cansa?
  4. Você sente que um de nós se esforça mais para manter isso de pé?
  5. O que você sente quando a gente fica um dia sem se falar?
  6. Daqui a um ano, onde você imagina a gente?
  7. O que você teria medo de perder se a gente morasse na mesma cidade?

Conversar com um casal que já passou por isso

No Venna, vocês dois conversam por uma hora, por voz, com outro casal que está vivendo algo parecido ou que já passou por isso. Dá para escolher um tema no app, como confiança ou comunicação. Ninguém usa o nome verdadeiro, e a sessão só acontece se os quatro toparem. Durante a conversa, o app faz as perguntas e dá a vez para cada um. Cada casal conta o que viveu, em vez de dar conselho. Nada é gravado, a não ser que os quatro escolham uma sessão gravada com um casal experiente, e nenhuma IA escuta. Cada um entra pelo próprio celular, então vocês podem estar em cidades diferentes. E, como é por voz, cada um pode estar na sua cidade.

O Venna não é terapia. Se você é mulher e está sofrendo violência no relacionamento, inclusive controle e ameaças a distância, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): a ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas, todos os dias. Também dá para falar pelo WhatsApp (61) 9610⁠-⁠0180. Em emergência, ligue 190. Se você é homem ou LGBTQIA+ e sofre violência, o 190 vale para você também, e pessoas LGBTQIA+ podem denunciar pelo Disque 100, gratuito e 24 horas. Se você está pensando em suicídio, ou alguém próximo está, ligue 188, do CVV: o atendimento é 24 horas e sem custo de ligação. Se a distância está pesando muito e você está mal há muito tempo, procure um médico ou um psicólogo.

Fontes

Perguntas frequentes

Namoro a distância dá certo mesmo?

Pode dar. Uma pesquisa americana de 2013, com amostra representativa do país, viu que quem namorava a distância estava mais satisfeito e mais comprometido com a relação. Quando os pesquisadores voltaram a procurar os casais, os dois grupos tinham terminado na mesma proporção.

Quantas vezes por dia um casal a distância deve se falar?

Não existe número certo. O que ajuda é os dois saberem o que esperar, com um ritual fixo, como um bom-dia por áudio ou uma chamada antes de dormir. Dez minutos de conversa de verdade valem mais que duas horas de vídeo ligado, cada um olhando para o próprio celular.

Quem paga a passagem no namoro a distância?

Isso precisa ser conversado, e não ficar subentendido, principalmente se um ganha mais ou se é sempre o mesmo que viaja. Alguns casais revezam quem viaja, outros dividem a passagem, outros fazem uma caixinha só para isso. O principal é nenhum dos dois sentir que carrega a relação sozinho.

Por que tantos casais terminam quando a distância acaba?

Num estudo de 2006, um terço dos casais que deixaram de namorar a distância terminou em até três meses. Os participantes falaram de perda de autonomia, de descobrir coisas novas sobre o outro e de mais brigas e ciúmes. Quem idealizava demais o outro enquanto estava longe tinha mais chance de terminar depois do reencontro.

Como lidar com ciúmes no namoro a distância?

Conversem antes sobre limites, como sair com os amigos, dormir fora ou falar com ex. Pergunte antes de concluir: “Vi aquela foto e fiquei com ciúme, me conta como foi?” abre conversa, enquanto uma acusação fecha. Pedir senha ou exigir localização o tempo todo não deixa ninguém mais seguro.

O que fazer num encontro a distância?

Dá para assistir ao mesmo filme ou jogo comentando por chamada, cozinhar a mesma receita e jantar “junto”, ou jogar um game online. Outras ideias são fazer uma caminhada no fim da tarde mostrando o caminho, escrever uma carta à mão ou montar uma playlist para a próxima viagem.

Dá para usar o Venna se a gente mora em cidades diferentes?

Dá. Cada um entra pelo próprio celular, e a conversa com o outro casal é por voz, durante uma hora. O Venna não é terapia: cada casal conta o que viveu, em vez de dar conselho.

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